Poderia ser um girassol comum. Amarelo como todos os outros que compunham aquele campo de girassóis. As características eram praticamente as mesmas: haste firme e verde com folhas grossas e aveludadas. Em suas extremidades a exuberância da enorme flor amarela. Era como se todo aquele campo estivesse revestido com um mar de flores. Mas dentre elas uma flor se destacava, e ao aproximar-se dela, nota-se uma perfeita harmônica em suas pétalas. Entre maiores e menores, nenhuma se sobrepunha a outra, mas todas circundavam aquele imenso círculo. Aninhando-se aguardam as futuras sementes que surgirão em seu meio.
Ela torna-se diferente, pois firme e forte conseguiu vencer chuvas e ventos, secas e pragas sem que nenhuma de suas pétalas se desprendesse. Não teve medo em se curvar nos momentos de dores e angustias, mas no silêncio da noite saciava-se com a brisa leve, que como plumas, a tocava delicadamente afim de curar suas feridas. Carregado com o orvalho da manhã, cotejavam lágrimas de suas folhas esvaziando-se de si mesmo para que ao toque do primeiro raio de sol, expandisse um sorriso de bom dia, que percorria, desde o nascente até ao poente.
Assim seguiu por muito tempo, até o dia em que o girassol foi pego de surpresa, e como que, dilacerado, mutilado, ele perde uma de suas pétalas. Não era a maior ou menor, não era a mais velha ou mais nova, muito menos aquela que possuía mais ou menos importância que as outras. Ela era simplesmente parte integrante de um todo harmônico que anoitece completo e amanhece vasado. Vazio este que abala principalmente as outras que estavam mais próximas. E neste dia, todo o campo silêncio, pois foi o dia em O Girassol chorou.
Agora resta ao abalado girassol viver a dor da perda consciente de que completará seu ciclo sem a pétala desprendida. Ter em mente sempre que, em meio ao desarranjo, ele não deixará de produzir sementes que formarão novos campos. Esta pétala caída ao chão jamais será menosprezada, pois não será impedida de tornar-se adubo que fortalecerá as que ficam. Tornando-se adubo, nada impede que ela seja parte integrante de uma nova configuração, de um novo girassol que nasce a cada ano. E neste ciclo, em meio a dores e alegrias, perdas e ganhos, lutas e vitórias, lagrimas e sorrisos, as sementes não deixarão de crescer. É vida que segue, mas não segue sozinha. Espera companhia daqueles que estão sempre dispostos a seguir.
É como diz a letra :
“A VERDADE PROVA QUE O TEMPO É O SENHOR
DOS DOIS DESTINOS, DOS DOIS DESTINOS
JÁ QUE PRA SER HOMEM TEM QUE TER
A GRANDEZA DE UM MENINO, DE UM MENINO
NO CORAÇÃO DE QUEM FAZ A GUERRA
NASCERÁ UMA FLOR AMARELA
COMO UM GIRASSOL
COMO UM GIRASSOL
COMO UM GIRASSOL AMARELO, AMARELO”
DOS DOIS DESTINOS, DOS DOIS DESTINOS
JÁ QUE PRA SER HOMEM TEM QUE TER
A GRANDEZA DE UM MENINO, DE UM MENINO
NO CORAÇÃO DE QUEM FAZ A GUERRA
NASCERÁ UMA FLOR AMARELA
COMO UM GIRASSOL
COMO UM GIRASSOL
COMO UM GIRASSOL AMARELO, AMARELO”
(Girassol - Cidade Negra Compositor: Toni / Bino / Lazão / Gama /Pedro Luíz)
Link: http://www.vagalume.com.br/cidade-negra/girassol.html#ixzz3jPZaP53q
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Jonathan Costa Rocha – 20/08/2015

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