Lidar
com a longevidade como perspectiva demográfica é um fato. Exige um investimento
em qualidade de vida na idade adulta como exercícios vividos de forma plena e
saudável, que podem se prolongar até o final da vida. Mas acolher o
envelhecimento como um dom de Deus é motivo de alegria e gratidão. Nem todos
aceitam essa dádiva da vida longa, gozam e contemplam sabiamente tudo o que a
vida lhes proporcionou. O processo de envelhecimento é acompanhado por mudanças
físicas que interferem na vida da pessoa como um todo. E diante de um olhar
preconceituoso, acreditam que este estado é sinônimo de cansaço, dependência e
abandono. Mas sempre existirão aqueles que já viveram muitos anos e podem ser
considerados verdadeiros exemplos ao transmitir os seus ensinamentos pela
experiência de vida.
Por
mais cansativo e intolerante que seja, oferecer-lhe a oportunidade de expressar
afeto, lealdade e estima, exclui este pré-julgamento: o idoso é visto de
maneira estática, basta envelhecer para ser considerado inativo, sem desejos ou
interesses. Desvaloriza-lo desta forma, favorece postura preconceituosas e
reações de repulsa diante da verificação da vida ativa, destoante de
expectativas com uso de nomenclaturas pejorativas que remetem à atitude
inapropriada e atribuição de imoralidade ou inadequação diante de qualquer
manifestação que o idoso venha expressar.
Este processo
de transformação, no curso da vida, do qual ninguém é isento, tem permitido o
surgimento de novas formas de relacionar com estes anciãos, aceitando com
carinho suas mudanças nos valores e mentalidades. Pois, muitos dos idosos de
hoje, tiveram experiências mais rígidas no passado, por reflexos de tradições bem
como a vivencia de experiências mais livres para os audaciosos. Se o idoso é
impulsionado pelos seus a lida bem com o envelhecimento, com as mudanças
corporais e ambientais, pode explorar novas fontes de satisfação, sanar
sentimentos de culpa ou vergonha relacionados à convivência e intimidade. Para
muitos idosos o conviver com outras pessoas é mais importante do que qualquer
outra coisa.
Sendo
assim, não há palavras mais edificantes que uma prece em forma de oração para
estes que gozam de tantas experiências de vida, e ao invés de conduzi-los para
casas de repousos, sejam acompanhados numa caminhada pelo jardim, ou num chá da
tarde ou ainda num momento de família para reviver juntos histórias que eles
jamais esqueceram e que felicitam incansavelmente ao contar para filhos e
netos, agregados e amigos. Eis a oração:
Ó Deus
que deste a estes idosos a graça de uma vida longa, para que fizessem a
experiência de quanto és bom, nós te agradecemos por tê-las cumulado de bênçãos
durante todos estes anos e te pedimos, para que elas saibam acolher a vida e os
anos com alegria, gozem de boa saúde do corpo, e se esforcem para dar a todos
um agradável exemplo de sabedoria. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. (Ritual
popular de bênçãos, Diocese de Chapecó-SC. 4º ed, 2008. p 10)

