Cercado
de todos os lados pelas ocupações cotidianas, chega um momento em que nenhum
lugar corresponde os desejos e anseios esperados. O clima torna-se pesado, há
uma tensão e desagrado para com as pessoas do convívio diário. As roupas não
estão boas, a comida está sempre ruim, a televisão não tem programas
agradáveis. Inúmeros amigos nas redes sociais, mas ninguém para conversar. Tudo
está sufocante, pequeno, apertado. O tic-tac do relógio é irritante, o silêncio
grita, a escuridão queima e o frio derrete. É uma verdadeira bomba-relógio
pronta para explodir.
O que
fazer antes que esta explosão devaste todo um ser que estava em ascensão
profissional, familiar, pessoal e possivelmente espiritual? Sabendo que, se
este último estivesse ativo, grande parte deste desconforto seria sanado.
Existe um lugar para se reabastecer? Uma fonte de força e ao mesmo tempo acolhedor?
Sim, existe um único e exclusivo lugar, que, depois dos braços de Deus, acolhe
e evolve, aquece e acalenta como se não houvesse mais nenhum lugar no mundo
como aquele. Este paraíso, exclusivo e comunitário ao mesmo tempo, é o regaço
acolhedor da mãe, o abraço materno que, mesmo depois de grande, tem o mesmo
efeito sedativo da pequena e indefesa criança que chorava incansavelmente até
ser acolhida e aconchegada em seus braços.
No mês
de maio, o segundo domingo é dedicado às mães. Mas este mesmo mês, para a
Igreja Católica, é todo dedicado a Maria: “Mãe de Deus e nossa mãe”. Modelo a
ser seguido, Maria também é símbolo de unidade e exemplo de desolação, pois
diante do seu Filho Jesus, crucificado e abandonado na Cruz, quis abandonar-se
também neste amor. Dada a João como mãe, torna-se mãe de uma multidão. E como
vinculo de unidade entre todos, une os filhos, torna-os irmãos, como fazem a
seu modo as mães da terra.
Não
tenha medo de voltar, tornar-se pequeno e pedir uma coisa que jamais lhe será
negado: um abraço de mãe. Quem tem em abundância, talvez não dê o valor que ele
mereça, e quem perdeu sabe o quanto lhe faz falta. É nesta ausência que entra a
unidade, e toda mulher que ama verdadeiramente, que traz essa maternidade no
mais íntimo do ser, consegue abraçar e envolver, acolher em seu seio o menor
dos pequeninos, e deixar esse extinto falar por si só. Amor de mãe não faz
distinção, não tem idade, nem dia e hora marcada. Todo dia é dia de amar. Toda
hora é hora de amar. Permita-se voltar a essa fonte e dela beber sem sessar,
deixe essa magia acontecer.
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